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26 Maio 2026

O El Niño e a Europa: A ciência por trás do tempo marado e o impacto no nosso prato

El NiñoAlterações ClimáticasCiênciaEconomia

Se tens saído à rua ultimamente ou espreitado as notícias, já deves ter reparado que o tempo anda completamente marado. Num mês estamos cheios de calor em alturas em que devia estar fresco, no outro vem uma seca daquelas que deixa as barragens vazias, e logo a seguir cai uma tempestade do nada que inunda meia cidade. Não és só tu a achar isto: o clima está mesmo esquisito. E há um culpado que não sai da boca dos cientistas: o El Niño.

A primeira coisa que pensamos quando ouvimos falar disto é: “Se isto acontece lá longe, no Oceano Pacífico, o que é que nós na Europa temos a ver com o assunto?”. Mas a verdade é que o planeta funciona como uma máquina gigante e está tudo ligado. O El Niño faz parte de um sistema global chamado ENOS (El Niño-Oscilação do Sul). Basicamente, tudo começa quando os ventos alísios, que cruzam o equador, enfraquecem. Sem a força desses ventos, uma quantidade massiva de água quente acumula-se à superfície do Pacífico.

Quando essa imensa piscina de água aquece, ela altera a temperatura da atmosfera logo acima. Esse calor todo sobe e desvia a Corrente de Jato do Atlântico Norte, que é uma espécie de autoestrada de ventos fortes a alta altitude. É esta corrente que dita o tempo na Europa. Os cientistas chamam a isto teleconexão: uma mudança no Pacífico que empurra a nossa “autoestrada do tempo” para norte ou para sul, trazendo a confusão até ao nosso quintal.

O grande problema para nós, especialmente no sul da Europa, é que esta alteração cria bloqueios atmosféricos. Sistemas de alta pressão instalam-se sobre o continente e impedem que as frentes de chuva atlantistas cheguem cá. Em vez disso, somos atingidos por massas de ar seco e quente vindas diretamente do Norte de África muito antes do tempo.

E é aqui que a agricultura bate no fundo, porque as plantas não têm como fugir deste stresse térmico e hídrico. Na primavera, quando as culturas precisam de humidade para crescer, os solos estão áridos. O trigo e a cevada, por exemplo, não conseguem desenvolver o grão. No caso das oliveiras e das vinhas, o calor extremo logo na fase de floração faz com que as flores abortem, o que significa que nem chega a haver fruto. Para piorar, a falta de água reduz a fotossíntese e enfraquece as plantas, tornando-as alvos fáceis para pragas de insetos e fungos que se multiplicam com o calor.

E o mais ridículo é que, quando finalmente chove, o solo está tão seco e duro que funciona como cimento. A água não infiltra. Como o El Niño acumula muita energia na atmosfera, a chuva vem em forma de tempestades violentas, muitas vezes com granizo. O resultado? O pouco que conseguiu crescer é destruído e o solo fértil é lavado pelas cheias.

Mas há uma coisa que convém esclarecer. O El Niño sempre existiu, não é uma invenção de agora. A diferença é que hoje em dia ele tem um ajudante de peso: o aquecimento global causado por nós. Como andámos a aquecer a base do planeta com emissões de gases de efeito estufa, o El Niño agora atua sobre oceanos e uma atmosfera que já estão sobreaquecidos. É literalmente deitar lenha numa fogueira que já estava perigosamente alta. Por isso é que os cientistas dizem que estamos a entrar numa era de “Super El Niños”, onde tudo é mais agressivo e imprevisível.

Isto já não é só uma conversa sobre termómetros ou sobre se levamos o casaco quando saímos de casa. Isto toca-nos diretamente na carteira. Com quebras brutais na produção de azeite, cereais e vinho, a oferta desce e os preços disparam no supermercado. Além disso, as cidades e os sistemas de rega não foram feitos para aguentar estes extremos.

Não dá para carregar num botão e desligar o Pacífico, por isso o remédio é adaptarmo-nos. A agricultura tem de mudar para técnicas que segurem a humidade no solo, temos de gerir a água como o recurso escasso que é e parar de fingir que o aquecimento global é um problema do futuro. O futuro já chegou e está a mudar o preço daquilo que pomos no prato todos os dias.

**Impactos do El Nino na Europa e no Mundo**

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